Tipos de câncer

Posted by | 08/02/2013 | Conhecimentos | No Comments

Os textos contidos neste espaço não são textos técnicos. Eles visam apenas fornecer algumas informações básicas aos proprietários de pets acometidos por neoplasias.

As imagens são de lesões reais, algumas das quais difíceis de se olhar. Todas foram tratadas, resultando em pacientes curados, quando possivel, ou vivendo longos períodos livre da doença mas principalmente,  mais felizes e com melhor qualidade de vida.

TUMORES DE MAMA EM CADELAS

Tumores de mama(TMC) são as neoplasias mais comuns em cadelas, acometendo principalmente animais com mais de 6 anos de idade; a obesidade e/ou o uso de contraceptivos predispõem ao aparecimento da doença.  Algumas raças são mais afetadas ( Poodle, Teckel, SRD, Cocker, etc), porém todas estão sujeitas.  A castração precoce reduz significativamente a incidência do tumor, com redução de 99,5% se realizada antes do primeiro cio e de 92% se realizada entre o primeiro e segundo cio.  Os machos raramente são acometidos mas, quando isso acontece, na maioria das vezes são tumores malignos.

Os TMC são facilmente identificados pelos proprietários como massas únicas ou múltiplas,  localizadas nas mamas ou aderidas aos mamilos, ulceradas ou não e com velocidade de crescimento muito variável.  Eles podem ser malignos ou benignos (50% : %50%) e é impossível diferencia-los sem o emprego de exame histopatológico.

Como são lesões facilmente identificadas, os proprietários devem ter o hábito de examinar periodicamente as mamas da cadelas,  como por exemplo durante os banhos. A precocidade no tratamento é um dos fatores prognósticos mais importantes.

Uma vez identificada a massa, o cão deve ser levado ao oncologista para uma avaliação mais rigorosa e completa, com a utilizacao da classificacao TMN realizar o estadiamento  da lesão. Os sítios mais frequentes de metástases são os linfonodos regionais, os pulmões, o fígado e os ossos.

O tratamento dos TMC fundamenta-se na excisão cirúrgica com ampla margem, seguida ou não de quimioterapia neoadjuvante.  O oncologista avaliará a indicação de emprega-la avaliando vários fatores relacionados à neoplasia e ao paciente.

Os pacientes tratados devem ser avaliados periodicamente para monitorar o aparecimento de recidivas. Normalmente, as taxas cura e de período livre de doença são muito significativas.

 

TUMORES DE MAMA EM GATAS

Tumor de mama(TMG) é o terceiro tumor mais frequente em gatas, acometendo aproximadamente 17% das fêmeas.  A maior incidência acontece em pacientes com idade superior a 10 anos; todas as raças podem ser afetadas, sendo a raça Siamesa a mais predisposta.  Tumores de mama em gatos machos são extremamente raros.

A castração precoce reduz a incidência da doença em 91% quando realizada até os 6 meses de idade e reduz em 86% quando realizada até em 1 ano de idade.  A utilização de anticoncepcionais ou a estimulação vaginal com cotonetes para bloquear o cio predispõe ao desenvolvimento destes tumores.

Na maioria das vezes essas neoplasias são malignas; quando notadas pelos proprietários já estão em estágios mais avançados, necessitando agilidade nas condutas propostas.

O tratamento dos TMG sempre será bastante agressivo, fundamentado na mastectomia total bilateral e na quimioterapia neoadjuvante.  As taxas de cura e de período livre de doença são inferiores ao alcançados nas cadelas.

Todo paciente deverá ser acompanhado periodicamente a fim de se rastrear o aparecimento de recidivas ou metástases.

 

CARCINOMA INFLAMATÓRIO DE MAMA

Neoplasia macroscopicamente caracterizada por massa de crescimento rápido e agressivo, com muita inflamação, hiperemia, dor, edema e, na maioria das vezes, ulceracao. Pode ser classificada em primária, quando os sinais aparecem de forma aguda sem tratamento prévio; e secundária, quando os sinais aparecem após a excisão cirúrgica de uma neoplasia mamária, muito semelhante a uma recidiva local.

Qualquer tipo histológico de tumor de mama pode evoluir para um carcinoma inflamatório, sendo a sua principal característica microscópica a presença de trombos neoplásicos nos capilares linfáticos da pele e a presença de infiltrado inflamatório importante.

O prognóstico desta neoplasia é reservado e as alternativas de tratamento são bastante limitadas.

TUMORES DE BEXIGA

Os tumores de bexiga são raros em felinos e relativamente comuns em cães, correspondendo a, aproximadamente, 1% de todos os tumores em cães, sendo os animais de meia-idade e idosos os mais afetados.

Tanto tumores malignos como benignos podem afetar a bexiga, sendo o carcinoma de células de transição o tipo histológico de maior incidência. A localização mais frequente é no trígono vesical e apresenta grande potencial metastático para os linfonodos regionais e para os pulmões.

Os tumores de bexiga podem ser facilmente confundidos com as infecções do trato urinário inferior ou com a síndrome urológica felina por apresentarem sintomas muito parecidos ou inespecificos, como: hematúria, dificuldade de micção, aumento no número de micções e, em alguns casos muito avançados, obstrução urinária.

A ultra-sonografia abdominal e/ou exames radiológicos contrastados são sensíveis para identificar massas localizadas na parede da bexiga, mas não para defini-las como tumores benignos, malignos ou pólipos. Exames mais invasivos como a CAAF guiada por US, a biópsia com abdômen aberto e a cistoscopia devem ser empregados para a definição do diagnóstico. Cada método diagnóstico tem suas vantagens, desvantagens, limitações e riscos; assim,  a escolha caberá a uma decisão conjunta entre o oncologista e o proprietário.

Como em todas as neoplasias malignas, após o diagnóstico é feito o estadiamento clínico para a definição da melhor conduta terapêutica.  A cirurgia e a quimioterapia neoadjuvante são os tratamentos fundamentais da maioria dos tumores de bexiga, visando proporcionar longos períodos livres de doença e, nos casos mais avançados,  melhorar na qualidade de vida.

Após o término do protocolo de tratamento, os pacientes deverão ser avaliados periodicamente no intuito de identificar o mais precocemente o aparecimento de recidivas ou metástases.

LINFOMA CANINO

Sinonímia:  Linfossarcoma ou linfoma maligno

É uma das neoplasias mais frequentes em cães e gatos.   Origina-se nos linfócitos, que são  células do sistema linforreticular porém, devido à grande mobilidade e distribuição dos linfócitos por todo o organismo, pode desenvolver-se  em qualquer local do organismo.

Algumas raças de cães como Boxer, Pastor Alemão, Golden, Bassethound e Pointer apresentam maior incidência da doença;  em gatos, aparentemente não há predisposição racial. Sua  etiologia ainda não esta totalmente elucidada,  mas presume-se  sua associação com o contato com herbicidas,  algumas alterações cromossômicas,  imunodeficiência,  trombocitopenia imunomediada, exposição a campos magnéticos e infecções virais(retrovírus).

O linfoma pode manifestar-se nas formas: multicêntrica, mediastinal, alimentar, cutânea  e extranodal. Alguns sintomas e achados mais comuns são: falta de apetite, perda de peso gradativa, aumento dos linfonodos, feridas na pele de difícil cicatrização, esplenomegalia,  suspeitas de hemoparasitose recorrentes, uveítes, etc.

A confirmação diagnóstica é feita por meio de exames citológicos e/ou anatomopatológicos  e  da  imunohistoquímica (ver meios de diagnóstico); este último exame informa  o tipo de linfócito envolvido na doença (linfócito T ou B).  A fim de se estabelecer o estadiamento clínico (ver próximos passos) e as possíveis alterações sistêmicas secundárias, vários outros exames poderão ser realizados, como: imagem (RX e US), hemograma, bioquímica sérica, dosagem de cálcio sério e biópsia de medula óssea.

Apesar da probabilidade de cura ser reduzida, o tumor é muito responsivo à quimioterapia e existem inúmeros protocolos que podem ser empregados. Frequentemente, significativos períodos livres de doença são atingidos, proporcionando uma ótima qualidade de vida.

Após o término do protocolo quimioterápico empregado, o paciente deverá periodicamente passar por avaliações clínicas específicas, a fim de se identificar o mais precocemente as possíveis recidivas da doença.

LEIOMIOSSARCOMA INTESTINAL

É a segunda neoplasia maligna mais comum no intestino dos cães,  e a terceira nos gatos.  Origina-se nas células da musculatura lisa intestinal, afetando  principalmente animais mais velhos,  acima dos 12 anos.

Quaisquer regiões do trato gastrointestinal podem ser afetadas, porém há maior incidência de lesões em porções do estômago,  do jejuno e do ceco.

Os animais afetados têm uma sintomatologia clínica bem variada e inespecífica como:  falta de apetite, perda de peso, vômitos frequentes, diarreia as vezes com sangue, dor abdominal, até sinais de obstrução e de peritonite por perfuração da víscera.  A hipoglicemia poderá ocorrer como uma síndrome paraneoplásica.

Exames ultra-sonográficos e radiográficos  são bastante sensíveis para identificar a presença de massas intramurais, porém somente o exame histopatológico fornecerá o diagnóstico definitivo.

O leiomiossarcoma tem baixa taxa mestastática e, quando ocorre, instala-se principalmente nos linfonodos regionais, no baço e no fígado.

O tratamento mais efetivo é excisão cirúrgica da lesão com amplas margens, por meio da enterectomia e enteroanastomose.  A quimioterapia neoadjuvante poderá ser utilizada em algumas situações.

Algumas características da neoplasia como o tamanho do tumor, a presença de metástase, o número de figuras de mitose, PCNA e a presença de necrose  ainda não estão bem estabelecidos como fatores prognósticos, porém a maioria dos  animais tratados apresentam boas taxas de cura e longos períodos livre de doença.

MASTOCITOMA CANINO

Sinonímia: Tumor dos mastócitos, sarcoma dos mastócitos e mastocitose

Os mastócitos são células produzidas na medula óssea de onde migram para todo o corpo,  sendo  encontradas principalmente no tecido subcutâneo,  nas mucosas, nos pulmões e no intestino.  São componentes do sistema imune e participam ativamente das respostas alérgicas.

O mastocitoma (MTC) é um dos tumores cutâneos de maior incidência em cães (16 – 21%), afetando  principalmente os cães  com idade média de 9 anos.  Algumas  raças têm mais predisposição a desenvolver a doença, como os Mastiffs, os Goldens, os Labradores, os Schinauzers, os Beagles e os Boxers.  Os Boxers são os mais afetados e, geralmente, apresentam comportamento menos agressivo.

A etiologia dos MTC ainda não esta bem definida, mas acredita-se que esteja relacionada a inflamações crônicas, ao contato com substâncias irritantes e a alterações genéticas (ex: c-kit).

Normalmente, os MTC manifestam-se como nódulos solitários ou múltiplos, nem sempre bem delimitados, de tamanhos variáveis, ulcerados ou não,  localizados na pele ou no subcutâneo, de aparecimento repentino e evolução variável.  Esta multiplicidade de formas faz com que   os MTC sejam considerados como possíveis diagnósticos em qualquer aumento de volume cutâneo.

O diagnóstico pode ser feito por CAAF/PAF (ver meios diagnósticos), sendo um método eficiente, rápido, pouco invasivo  e que não requer anestesia ou sedação. A sua principal limitação é a impossibilidade de fornecer o grau da doença (ex. baixo e alto grau). Somente o exame anatomopatológico realizado por biópsia ou na peça cirúrgica irá fornecer o grau histológico do tumor e a qualidade das margens cirúrgicas.

O estadiamento clínico é realizado por meio de exame clínico,  exames radiológicos de tórax, ultrassonografia abdominal, citologia dos linfonodos regionais (quando possível), exames de sangue e de bioquímica sérica e, em algumas ocasiões, aspirado de medula óssea.

Várias modalidades de tratamento  podem ser empregadas  no MTC,  sendo a  excisão cirúrgica com amplas margens  o tratamento fundamental.  Porém, a escolha do melhor  protocolo de tratamento  resultará da análise conjunta das informações obtidas com o estadiamento clínico, do grau histológico do tumor e da avaliação das margens cirúrgicas.

Assim como na maioria dos tumores, os pacientes deverão ser avaliados periodicamente através de exames clínicos, de imagem e laboratoriais, a fim de se identificar o mais precocemente possível os casos de recidiva tumoral.

HEMANGIOSSARCOMA ESPLÊNICO

O hemangiossarcoma (HSA) é uma neoplasia maligna, agressiva, originada nas células do endotélio vascular; acomete todas as espécies de animas,  com maior incidência nos cães.  Animais de meia idade a idosos são os mais afetados.

Existem alguns estudos relacionando maior incidência de HSA em pacientes humanos  expostos a  determinados  produtos químicos como  tório, PVC e vinil.  Em relação aos animais, existe associação entre a ação da radiação solar em pacientes de pelagem clara e/ou curta e maior incidência de HSA cutâneo.

Por ser uma neoplasia originária dos vasos sanguíneos, o HSA poderá afetar qualquer parte do organismo, porém em cães o baço é o órgão mais afetado.  Aproximadamente 75% de todos os tumores esplênicos são HSA.

O HSA esplênico pode apresentar os mais variados sinais clínicos, tais como perda de apetite, perda de peso, aumento de volume abdominal, fraqueza, dificuldade respiratória, anemia, baixa na contagem de plaquetas  e, nos casos de ruptura da massa, os sinais clássicos de choque hipovolêmico.  Outras vezes ele não apresenta sinais, sendo um achado no exame de imagem feito na investigação de uma outra doença.

O exame ultra-sonográfico é muito eficiente na identificação das alterações anatômicas do baço, porém ele não tem especificidade suficiente para a definição do diagnóstico.  Muitas outras alterações, inclusive hiperplasias esplênicas benignas,  podem gerar imagens semelhantes; sendo assim,  somente o exame histopatológico da lesão fornecerá  o diagnóstico final.

Sempre que houver suspeita de neoplasia esplênica / HSA deve-se investigar a presença de metástases, principalmente nos pulmões, base do coração, fígado e mesentério.

A esplenectomia  total e a quimioterapia adjuvante para impedir o desenvolvimento de micrometástases são as melhores opções de tratamento e que se traduzem em maiores períodos livres de doença.

Assim como todos os pacientes oncológicos, o acompanhamento periódico é essencial  para o monitoramento de recidivas.

CARCINOMA DE CELULAS ESCAMOSAS

O carcinoma de células escamosas (CCS ou SCC) é uma das neoplasias de pele mais comuns, afetando principalmente animais de pelagem clara, curta e/ou rarefeita.  Os gatos são bem mais afetados que os cães (25% e 5% de todos os tumores de pele, respectivamente), e os locais de maior incidência da lesão são: plano nasal, pálpebras, orelhas, face, abdômen, flanco e os dígitos nos cães.

Há estreita relação entre a exposição à luz solar e a incidência da neoplasia, porém outros fatores podem estar envolvidos, como a presença de lesões irritativas crônicas, infecções por papilomavírus e mutações no gene supressor P 53.

A neoplasia pode ter o aspecto de lesões  irritativas, avermelhadas , erosivas  e ulcerativas , ou apresentar-se de forma proliferativa, friável, semelhante a uma couve-flor.  Em cães, as lesões digitais confundem-se com um quadro de paroníquia (infecção e inflamação da unha).

O diagnóstico definitivo é simples, realizado através de biopsia e histopatologia das lesões suspeitas.

Apesar do CCS ser uma neoplasia com pouca habilidade para gerar metástases, recomenda-se a realização de exames radiográficos, ultra-sonográficos e, quando possível, citologia aspirativa dos linfonodos regionais .  As maiores complicações do CCS são as recidivas locais devido à disseminação das células neoplásicas na periferia da lesão.

Várias modalidades de tratamento (cirurgia, criocirurgia, quimioterapia sistêmica e/ou local, fototerapia e eletroquimioterapia) podem ser empregadas, individualmente ou em conjunto, para se obter o melhor controle da doença.  A estratégia terapêutica deverá ser escolhida levando-se em conta o tipo de lesão, a área afetada, o estadiamento e as expectativas do proprietário.

Apesar de alguns tratamentos provocarem deformidades, os pacientes convivem muito bem com elas, não afetando em nada a sua qualidade de vida e o seu convívio na casa. Os períodos de controle da doença são bem longos.

CARCINOMA DE ADRENAL – Zona Fasciculada

As glândulas adrenais estão localizadas nos polos craniais dos rins. São responsáveis pela produção de vários hormônios essenciais para o funcionamento do organismo como por exemplo:  aldosterona, glicocorticoides, hormônios sexuais e catecolaminas.

Os tumores primários de adrenais têm pouca incidência em animais, porém as adrenais são sítios  importantes para metástases de tumores mamários,  pancreáticos, vesicais , prostáticos e renais. Os cães são mais afetados que os gatos, tanto por tumores primários como por tumores secundários.

Os tumores de adrenais podem ser endocrinologicamente ativos ou inativos, sendo que os inativos quase sempre são achados incidentais.  Já os ativos, são diagnosticados durante a investigação de  doenças endócrinas relacionadas às adrenais.

Os carcinomas de adrenais normalmente são tumores grandes, encapsulados, vascularizados e endocrinologicamente ativos.  Eles têm  comportamento muito agressivo, invadem  órgãos e vasos adjacentes, podendo atingir por metástases o fígado e os pulmões.

Os sintomas mais frequentes das neoplasias  da zona fasciculada das adrenais são os relacionados à hiperprodução hormonal  de glicocorticoides e de aldosterona (Síndrome de Cushing e  Síndrome de Conn).  Outros, mais raros,  são decorrentes de tromboembolismo tumoral da veia cava caudal, incorrendo em edema de membros, dor aguda e intensa e ascite.

O diagnóstico baseia-se em  testes laboratoriais indicando disfunções endócrinas e na presença de massas, visualizadas através da  ultra-sonografia ou tomografia.

O proprietário deverá discutir tanto com o endocrinologista como com oncologista as opções de tratamento e os seus respectivos prognósticos.   O tratamento cirúrgico consiste na remoção da adrenal afetada (adrenalectomia unilateral);  já o conservador baseia-se no controle da sintomatologia hormonal com o uso de medicações específicas (Trilostano / Mitotano).

Assim como em todos os tumores, os pacientes deverão ser acompanhados periodicamente pelo oncologista e pelo endocrinologista.