Modalidades de Tratamento

Posted by | 11/06/2013 | Conhecimentos | No Comments

QUIMIOTERAPIA

A quimioterapia é uma modalidade de tratamento que utiliza medicamentos que irão autuar diretamente em determinadas fases do ciclo celular; isto irá afetar diretamente a divisão ou maturação celular.  Infelizmente, a maioria dos agentes quimioterápicos não tem ação suficientemente específica para afetar somente as células tumorais, eles afetarão todas as células com altos índices mitóticos, como por exemplo as células da medula óssea,  as células da mucosa digestiva, as dos folículos pilosos, etc.

Os efeitos secundários em pets são bem menos pronunciados que os apresentados pelos pacientes humanos que recebem tratamento quimioterápico. A grande maioria (80 a 90%) dos nossos pacientes passa por todo o processo de quimioterapia sem muitas dificuldades ou limitações, fato este muito importante pela total dependência que tem dos seu donos.

O tratamento quimioterápico pode ser empregado com terapia exclusiva, adjuvante ou neo-adjuvante (citorredutora).  A terapia exclusiva é assim chamada porque o tratamento empregado é totalmente baseado no uso dos agentes quimioterápicos.  Na adjuvante a quimioterapia está associada a um outro tratamento primário, destacando-se principalmente a cirurgia na medicina veterinária.  O tratamento neo-adjuvante ou citorredutor precede a cirurgia, visando reduzir a massa tumoral a ser excisada e, consequentemente, a agressividade do ato.  Muitas vezes, diante de uma disseminação do câncer (metástase) pelo organismo, a quimioterapia é empregada na forma paliativa, visando a diminuição e/ou controle da velocidade de crescimento tumoral.

Os protocolos quimioterápicos são desenhados levando-se vários fatores em consideração (tipo histológico, estadiamento, estado clínico, etc) com diversas opções de vias de administração e intervalos entre drogas.

Considerando-se todos os fatores envolvidos, quando instituímos um protocolo de quimioterapia a um paciente, nota-se que 95% dos proprietários não se arrependeram  e até repetiriam todo o tratamento se necessário.

PRINCIPAIS EFEITOS COLATERAIS
Os efeitos colaterais em pets normalmente são muito menos intensos  se comparados com os apresentados por pacientes humanos. Em alguns casos eles podem ser quase imperceptíveis, notados somente através de exames de sangue.

Os efeitos colaterais podem ocorrer desde os primeiros dias após o uso dos fármacos até meses após o término do tratamento, daí a importância de uma discussão com seu médico veterinário.

Os principais sintomas decorrentes da quimioterapia são: falta de apetite, diarreia, vômito, queda de pelos, leucopenia, plaquetopenia, infecções secundárias entre outros.

CUIDADOS DURANTE A QT
Os agentes quimioterápicos são eliminados principalmente pelas fezes e urina dos animais e são substâncias mutagências e carcinogênicas. Portanto, durante as primeiras 72hs após a administração dos fármacos, deve-se minimizar todo contato com fezes, urina , vômito e excreções dos pets.  Para tanto, recomenda-se evitar o contato mais íntimo neste período (dormir na cama, lamber o rosto, etc), utilizar luvas para limpeza e lavar com bastante água as áreas utilizadas como “banheiros”.

Todos os quimioterápicos empregados por via oral deverão ser manipulados com luvas e em hipótese alguma os comprimidos poderão ser fracionados.

CIRURGIA

A cirurgia é a mais antiga das modalidades de tratamento dos tumores e constitui uma importante ferramenta na erradicação de tumores bem localizados.  Atualmente, com um melhor conhecimento da biologia tumoral, de equipamentos mais adequados e do refinamento da técnica,  a cirurgia oncológica consegue manter a sua radicalidade com grande ganho em qualidade de vida.

Os procedimentos cirúrgicos devem ser realizados em locais apropriados,  com equipamentos adequados e equipe cirúrgica treinada, pois a cirurgia oncológica requer o emprego de algumas técnicas mais específicas.

A cirurgia oncológica tem quatro  objetivos básicos: de promover a cura,  de firmar um diagnóstico acurado através de biópsias ,  de propiciar melhores condições de vida por meio de procedimentos paliativos e de ações profiláticas.

CRIOCIRURGIA

Procedimento que consiste na destruição tecidual pela ação do frio, através do congelamento e descongelamento celular. Utiliza-se atualmente o nitrogênio líquido – gás liquefeito – mantido a temperatura média de 193°C negativos.

Uma grande variedade de tumores podem ser tratados por meio desta técnica, tais como: carcinoma de células escamosas, adenomas sebáceos, papilomas, adenocarcinomas, hemangiomas entre outros.  Assim como todo procedimento, requer equipamento e técnicas adequadas para se atingir os melhores objetivos possíveis.

Quando empregamos esta técnica é de suma importância discutir suas vantagens e desvantagens, assim como o número de procedimentos previstos.

RADIOTERAPIA

A radioterapia é uma importante forma de tratamento oncológico,  sendo que as melhores respostas são alcançadas quando associada a outros tratamentos, principalmente  à quimioterapia e ou à cirurgia.  Suas indicações ficam limitadas às neoplasias bem localizadas e sem evidências de disseminação. Basicamente há três modalidades de radioterapia: a teleterapia, a braquiterapia e a terapia sistêmica.

A radiação promove a morte da celular devido à produção de radicais livres no interior da célula,  afetando diretamente o seu material genético (DNA/RNA).  Somente as células que estão em divisão celular são lesadas; sendo assim, o tratamento é feito de forma fracionada  para que todas as populações de células tumorais entrem em divisão.

Infelizmente, existem poucos centros de radioterapia e a maioria dos aparelhos disponíveis são os de ortovoltagem, com limitada penetração nos tecidos e indicação restrita.

TERAPIA FOTODINÂMICA

Consiste na administração de substâncias fotossensibilizadoras que serão absorvidas pelos tumores e,  posteriormente, estimuladas por luzes com comprimentos de onda específicos.  Este estímulo promoverá a formação de radicais livres e de processos oxidativos intra-celulares  acarretando danos às células tumorais,  isquemia intra-tumoral e atração de células inflamatórias para a lesão.

Infelizmente,  como a luz tem pouca capacidade de penetração  nos tecidos, o emprego deste tratamento fica limitado a alguns poucos tumores superficiais.

IMUNUTERAPIA

A  imunoterapia visa estimular o sistema imunológico do paciente, deixando-o mais eficiente na destruição das células tumorais.  Esta potencialização é feita de modo direto com o uso de vacinas específicas, de fatores de crescimento celular, de anticorpos específicos, etc, ou  de modo indireto,  com a aplicação de doses de vacina BCG, de levamizole , de L-MTP-PE, entre outros.

Esta terapia na maioria das vezes é empregada como tratamento adjuvante, tem um grande potencial de respostas clínicas favoráveis  com pouquíssimos efeitos secundários, porém  ainda está praticamente indisponível  para uso em medicina veterinária no Brasil.

ELETROQUIMIOTERAPIA

Esta técnica consiste no uso de pulsos elétricos intensos e de curta duração que promovem maior permeabilidade das membranas citoplasmáticas das células tumorais,  facilitando a entrada para o interior das células dos quimioterápicos; ou seja, com o início dos pulsos elétricos os poros se abrem facilitando a entrada quimioterápicos  no citoplasma.  Ao final do pulso elétrico, o poro se fecha novamente,  dificultando a saída da droga. Apesar dos inúmeros  resultados animadores alcançados por esta técnica como tratamento único ou adjuvante de alguns tipos de tumores, ainda  há a necessidade de estudos mais extensos  para determinar a sua real eficácia e a resolução dos  problemas de disponibilidade dos equipamentos  para seu emprego na rotina veterinária.